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Atualizado em
14/09/2026

Campo | Informação Autor(a): Angelo Antônio Mendonça Ribeiro
Orientador(a): Antônio Carlos Magalhães da Silva, D.Sc.
Título Completo: Análise do Impacto dos Investimentos em P&D, Obras de Expansão, Melhoria e Renovação nos Indicadores Coletivos de Continuidade das Distribuidoras de Energia Elétrica
Ano de Conclusão: 2024
Instituição: Universidade Estácio de Sá
Programa: Mestrado em Administração e Desenvolvimento Empresarial (MADE)
Local: Rio de Janeiro
Número de Páginas: 38 páginas
Classificação: Dissertação de Mestrado
A energia elétrica representa um insumo essencial para o funcionamento da economia moderna, sendo utilizada como componente crítico em processos produtivos e na prestação de serviços. No contexto brasileiro, os sistemas de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica são operados predominantemente por empresas privadas sob regime de concessão, enfrentando desafios significativos relacionados à intensidade de capital requerida, desastres naturais, furto de energia e restrições de acesso em áreas urbanas específicas.
Diante dessa relevância estratégica, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) implementou um sistema de regulação e monitoramento baseado em indicadores de desempenho, sendo destacáveis os indicadores coletivos de continuidade:
O estudo surge da necessidade de compreender a relação causal entre investimentos corporativos (P&D, expansão, melhoria e renovação) e o desempenho operacional refletido nesses indicadores, visando subsidiar decisões estratégicas de alocação de recursos nas concessionárias de energia elétrica brasileiras.
Verificar o impacto (elasticidade) dos investimentos em P&D, obras de expansão, melhoria e renovação nos indicadores coletivos de continuidade DEC e FEC das distribuidoras de energia elétrica brasileiras no período 2019-2022.
Natureza da Pesquisa: Quantitativa
Base de Dados: Secundária, disponibilizada pela ANEEL
Período de Análise: 2019 a 2022
Amostra: 20 concessionárias distribuidoras de energia elétrica brasileiras
Técnica Estatística Principal: Regressão Múltipla com Dados em Painel (Panel Data Regression)
Variáveis Dependentes:
Variáveis Independentes:
Testes Diagnósticos Realizados:
Modelo Selecionado: Efeitos Fixos (validado pelos testes de Chow e Hausman)
O modelo apresentou um coeficiente de determinação (R²) de 0,9476, indicando que as variáveis independentes explicam 94,76% da variação observada no DEC ao longo do período analisado, conferindo robustez ao modelo proposto.
Variáveis com Significância Estatística:
Variáveis sem Significância Estatística:
Os resultados evidenciam que investimentos contemporâneos em expansão (período t) produzem redução imediata do DEC, alinhado com a teoria de que a ampliação da capacidade instalada reduz sobrecargas e falhas operacionais. Entretanto, a defasagem de um período revela um efeito contra-intuitivo e positivo, sugerindo possíveis custos de transição associados a obras de expansão no período anterior, como interrupções programadas, reconfigurações de rede e ajustes operacionais.
O impacto significativo e negativo das obras de renovação defasadas (t-1) ressalta a importância da modernização de infraestrutura envelhecida, cujos benefícios materializam-se após o período de implantação, confirmando a necessidade de planejamento estratégico longitudinal na alocação de recursos.
O modelo alcançou um coeficiente de determinação (R²) de 0,9486, demonstrando capacidade robusta de explicar 94,86% da variação observada no FEC, oferecendo uma base sólida para tomada de decisões estratégicas.
Variáveis com Significância Estatística:
Variáveis sem Significância Estatística:
A análise do FEC revela uma dinâmica diferenciada comparada ao DEC. Os investimentos contemporâneos em expansão (t) produzem redução imediata na frequência de interrupções, sugerindo que a adição de redundância operacional e aumento de capacidade mitigam falhas repetidas na rede.
Diferentemente do modelo DEC, a defasagem de obras de expansão não demonstra significância no FEC, indicando que efeitos de transição e custos operacionais associados à expansão não afetam proporcionalmente a frequência de interrupções.
O impacto contínuo das obras de renovação defasadas (t-1) em ambos os modelos (DEC e FEC) reforça que a manutenção preventiva e modernização de equipamentos envelhecidos oferecem benefícios persistentes na redução tanto da duração quanto da frequência de interrupções.
Variável: Obras de Expansão (t)
Impacto DEC: Negativo (✓)
Impacto FEC: Negativo (✓)
Interpretação: Efeito imediato consistente em ambos os indicadores.
Variável: Obras de Expansão (t-1)
Impacto DEC: Positivo (✓)
Impacto FEC: Não significativo.
Interpretação: Efeitos de transição refletem na duração, mas não na frequência.
Variável: Obras de Renovação (t-1)
Impacto DEC: Negativo (✓)
Impacto FEC: Negativo (✓)
Interpretação: Efeito defasado persistente em ambos os indicadores.
Variável: Investimentos em P&D
Impacto DEC: Não significativo.
Impacto FEC: Não significativo.
Interpretação: Impacto indireto não capturado no modelo.
Variável: Obras de Melhoria
Impacto DEC: Não significativo.
Impacto FEC: Não significativo.
Interpretação: Escopo restrito ou efeitos difusos.
Hipótese 1: Os investimentos em obras de expansão são significativos e têm maior impacto na diminuição do DEC e FEC em relação às outras variáveis independentes.
Resultado: Parcialmente confirmada - As obras de expansão demonstram impacto significativo, porém não apresentam maior impacto comparadas aos investimentos em obras de renovação defasadas (t-1), que se revelaram como as variáveis mais influentes.
Hipótese 2: Os investimentos em P&D são significativos e têm maior impacto na diminuição do DEC e FEC em relação às outras variáveis independentes.
Resultado: Rejeitada - Os investimentos em P&D não demonstraram significância estatística em nenhum dos modelos (DEC ou FEC), sugerindo que seu impacto sobre indicadores de continuidade é indireto, mediado por outras variáveis ou não capturado pela metodologia proposta.
1.Primazia das Obras de Renovação: O achado mais relevante é que as obras de renovação no período anterior (t-1) constituem o investimento mais impactante na redução de DEC e FEC, contradizendo a expectativa inicial de que expansão seria prioritária.
2.Efeito Paradoxal da Expansão Defasada: A associação positiva entre obras de expansão (t-1) e aumento do DEC sugere que:
Obras de grande porte: geram interrupções programadas no período de execução.
Custos operacionais transitórios: comprometem a qualidade imediatamente após a implementação.
Necessidade de reconfiguração de redes: causa instabilidades temporárias.
3.Impacto Limitado de P&D: A falta de significância estatística dos investimentos em P&D pode refletir:
Ciclos de implementação prolongados: não capturados no período de análise.
Efeitos indiretos: intermediados por outras variáveis operacionais.
Dificuldade de mensuração: de inovações tecnológicas em dados secundários.
1.Priorização de Investimentos: Alocar maior volume de recursos para programas de renovação de infraestrutura envelhecida, dado seu impacto comprovado na redução de DEC e FEC 2.Planejamento Longitudinal: Implementar abordagem plurianual nos Planos de Desenvolvimento de Distribuição (PDD), reconhecendo que benefícios de renovação materializam-se no exercício seguinte 3.Balanceamento Tático: Equilibrar obras de expansão contemporâneas (benefício imediato) com continuidade de renovação (benefício defasado) para otimização contínua
1.Revisão da Parametrização Tarifária: Considerar ponderações diferenciadas entre tipos de investimento na fórmula de reajuste tarifário, priorizando renovação sobre expansão em cenários de infraestrutura envelhecida.
2.Incentivos para Renovação: Implementar mecanismos de incentivo (prêmios tarifários) para concessionárias que superem metas de renovação, reconhecendo seu impacto superior em indicadores de continuidade.
3.Monitoramento Defasado: Ajustar a meta de DEC/FEC do período considerando o nível de investimento em renovação do período anterior, refletindo a realidade causal dos dados.
4.Expansão da Base de Dados: Ampliar a análise regulatória para concessionárias.